• Carlos Henrique Silva

EXPOSIÇÃO NO MUSEU DO ESTADO RESGATA O LEGADO DO FOTÓGRAFO EDMOND DANSOT

O fotógrafo francês, que viveu no Recife entre 1960 e 2010, registrou mais de 100 mil imagens dos aspectos naturais e humanos do litoral ao sertão nordestino

Jangada - Edmond Dansot


O Museu do Estado de Pernambuco (Mepe), equipamento cultural gerenciado pela Secult-PE/Fundarpe, abriu para o público, na última quinta-feira (9), sua mais nova exposição, "No Olhar de Dansot". Com imagens do acervo do fotógrafo francês Edmond Dansot, que viveu no Recife entre 1960 e 2010, a mostra é uma verdadeira retrospectiva da grandiosa obra desse grande mestre das imagens.

Por meio da sua lente fotográfica, Dansot com sua maestria, apurada sensibilidade e perspicácia, registou mais de 100 mil imagens que tratam da fauna, flora, monumentos arquitetônicos, praias, acontecimentos históricos, expressões da cultura popular, religião, artes visuais, personalidades, e política.

A coleção foi adquirida pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) em dezembro de 2014 e é composta em números exatos por 123.791 documentos fotográficos, com ênfase nos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da Região Nordeste, do Litoral ao Sertão.

A exposição é uma ação conjunta do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura, Fundarpe e Museu do Estado de Pernambuco, Fundaj e conta com a curadoria da fotógrafa Renata Victor e produção executiva de Marcos Silveira, ex- diretor cultural da Aliança Francesa.


O público vai poder conferir 50 imagens com montagem de fotografias inéditas, realizadas a partir da documentação feita por Dansot na Região Nordeste do Brasil, durante os anos de 1960 a 2010.

Para a curadora, Renata Victor, a retrospectiva propõe uma incursão pela estética fotográfica do artista. “É inquestionável a importância do fotógrafo Edmond Dansot para a memória e a história da fotografia brasileira da segunda metade do século XX e da primeira metade do século XXI. Ele faz parte das últimas gerações de fotógrafos que se formaram e atuaram profissionalmente sob a hegemonia da fotografia analógica e desenvolveu um trabalho essencialmente autoral, premiando por preservar e valorizar a dignidade humana em todos os registros fotográficos. Suas fotografias são fontes inesgotáveis para a pesquisa”, ressalta.

Já Betty Lacerda Malta, Antonio Carlos Montenegro e Rita de Cássia Barbosa do Centro de Documento e Estudos de História Brasileira da Fundaj, destacam o trabalho de Dansot também nos principais jornais do Recife, e, para periódicos de grande circulação nacional, a exemplo da revista O Cruzeiro e do jornal Folha de São Paulo, ao mesmo tempo em que se dedicava ao seu estúdio particular. Em paralelo desenvolveu importantes trabalhos para órgãos governamentais, nas instâncias federal e estadual.

O ex-diretor cultural da Aliança Francesa e produtor executivo da exposição, Marcos Silveira, disse que já há algum tempo vinha tentando fazer essa exposição que estava pendente e que agora foi possível graças ao incentivo do Funcultura, da Fundarpe e Fundaj com a disposição do acervo fotográfico de Dansot. Ele conheceu o fotógrafo em 1985 e sempre acompanhou a repercussão do seu trabalho, o que valeu a exposição.

O fotógrafo Edmond Dansot, também participou de movimentos artísticos locais envolvendo a fotografia, produzindo imagens com essa finalidade e contribuindo para a formação de novas gerações de profissionais e artistas fotógrafos. Ele faleceu em março de 2012. Seus últimos seis anos foram dedicados ao levantamento e à catalogação de suas fotografias autorais.

Serviço Exposição "No Olhar de Dansot" A partir de 9 de dezembro de 2021 (quinta-feira) Terça a sexta-feira: das 11h às 17h Sábados e Domingos: das 14h às 17h Endereço: Avenida Rui Barbosa, 960, Graças – Recife/PE

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