• Carlos Henrique Silva

TRADICIONAIS ARTISTAS E ARRASTÃO DE FREVO ENCERRAM O CARNAVAL DO RECIFE 2020

Lenine, Alceu Valença e Elba Ramalho foram os destaques da chamada Terça-Feira Gorda, seguidos do Maestro Spok, conduzindo uma multidão de artistas e muito frevo até o amanhecer do dia e a despedida do Carnaval no Recife


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Maestro Spok comandando o Arrastão do Frevo - Foto: Peu Ricardo/PCR

A chamada Terça Gorda, que historicamente marcava o principal dia do Carnaval, no Recife tem ares de encerramento de festa, com shows de artistas consagrados por toda a cidade, além da virada da noite para a Quarta-Feira de Cinzas, que deixou de ser "ingrata" e hoje tem blocos até o final do dia.


No palco principal do Marco Zero, é perceptível que a noite inicia com muita energia e disposição do público, mas o cansaço também vai tomando conta, mesmo que boa parte do público não se disponha a abandonar a folia.

Lenine cantando "Paciência", som de voz e violão no encerramento do Carnaval - Foto: Diego Nigro / PCR

Primeiro a se apresentar, Lenine é um nome de peso, mas colocar o artista na programação pareceu impróprio para o horário e o local, pelo tom intimista do show, a ausência de parcerias como em outros anos e as músicas de pouco diálogo com o clima do Carnaval, com exceção da clássica "Leão do Norte", que encerrou a apresentação.


Presenças já consolidadas nos dias de Momo, Alceu Valença e Elba Ramalho trouxeram shows de repertórios já previsíveis, que são parte do sucesso de suas carreiras, mas que atendem ao que o público espera, especialmente no encerramento do Carnaval. Mesmo em meio aos clássicos frevos e cirandas, Alceu também trouxe composições novas e colocou o público pra cantar. Já Elba colocou a multidão pra tirar o pé do chão em ritmos variados, do frevo, forró, manguebeat e axé, mantendo a animação nas alturas.

De toda forma, já eram mais de 2h da madrugada quando o maestro Spok recebeu um público que insistia em permanecer na praça do Marco Zero, mas sem a mesma energia e disposição do início da noite. Devido a problemas de som e para se proteger da chuva, o orquestrão de quase 200 músicos demorou a se organizar no espaço apertado do palco, demandando do maestro o papel de animador e cantor, puxando da plateia frevos de bloco, cirandas e até o hino de Pernambuco.


Seja para aguardar amanhecer o dia, conseguir transporte e voltar pra casa, ou mesmo para aproveitar até o final da festa, a multidão diminuía a interação, e apenas assistia o desfile de um sem número de artistas apresentando uma música e logo indo embora, como uma despedida. Mesmo com o respeito dado por Spok aos maestros, blocos e artistas que fizeram todo o Carnaval funcionar, ficou a impressão de algo improvisado que não correspondia ao peso que cada um trouxe ao público.


A festa seguiu até o amanhecer, e a despeito das falhas, buscou fechar com 'chave de ouro' uma caminhada de tantos dias, cores e alegrias vivenciadas, construídas com a colaboração dos diversos segmentos e culturas presentes na capital e no Estado. Como sempre acontece, o ciclo da cidade agora é voltar à normalidade, colocar tudo nos lugares e planejar o próximo Carnaval com mais paz, cultura, diversidade e principalmente consciência ambiental, esta ainda uma das maiores dívidas deixadas todos os anos.

Foto: Peu Ricardo / PCR

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